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Franciscano/a

  • Identificador:
    11035
    Nome:
    Fr. José do Desterro, OFM
    Sexo:
    Data de ingresso:
    15/01/1751
    Data de falecimento:
    01/09/1791
    Lugar de nascimento: Lisboa, PT
    Estado eclesiástico:
    Notas Biográficas:

    Pregador, ex-ministro provincial, europeu. No século se chamava José Pereira, natural de Lisboa e batizado na freguesia de Nossa Senhora do Socorro da dita cidade. Filho legítimo de Domingos Pereira, natural e batizado na freguesia de São Diães e São Mamede, Arcebispado de Braga, e de sua mulher Josefa Maria, natural e batizada na sobredita freguesia de Nossa Senhora do Socorro. Foi aceito à Ordem pelo Ministro Provincial Fr. Agostinho de São José. Tomou o hábito para frade do coro no Convento de São Boaventura de Macacu, sendo guardião Fr. Arcângelo de Santo Antônio Sá, aos 15 de janeiro de 1751. Professou no mesmo convento, sendo guardião Fr. José dos Serafins Amorim, aos 16 de janeiro de 1752. Por ordem do Ministro Provincial Fr. Manuel de São Roque entrou no estudo de filosofia do Convento de São Francisco de São Paulo, sendo mestre Fr. Boaventura de São Salvador Cepeda, o qual tinha sido eleito, a 25 de setembro de 1751. Com patente do Ministro Provincial Fr. Arcângelo de Santo Antônio Sá foi ordenado sacerdote na capela do palácio episcopal de São Paulo, em 27 de abril de 1757. Conferiu-lhe todas as Ordens Dom Fr. Antônio da Madre de Deus Galrão, OFM, bispo da dita cidade. Na congregação intermédia de 1759 saiu eleito passante para o estudo de filosofia no Convento de São Francisco de São Paulo; juntamente foi nomeado pregador. No capítulo de 24 de janeiro de 1761 o elegeram confessor de seculares. Na congregação intermédia de 24 de julho de 1762 foi eleito Comissário de Terceiros de Paranaguá. Ficou confirmado neste mesmo lugar no capítulo de 28 de janeiro de 1764. Foi para Viamão, RS, fazer as vezes de Fr. João de Sant’Ana Flores que tinha saído Comissário de Terceiros daquela vila na congregação intermédia de 27 de julho de 1765. Foi nomeado para fazer as vezes de Comissário de Terceiros do Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro no capítulo de 24 de janeiro de 1767. Na congregação intermédia de 23 de julho de 1768 ficou por companheiro de Fr. Inácio de Santa Rita Quintanilhas que saiu nomeado Comissário de Terceiros do Rio de Janeiro. Elegeram-no para guardião do Convento de São Francisco de São Paulo no capítulo de 27 de janeiro de 1770. Foi secretário do visitador geral Fr. José dos Anjos Passos que tomou posse deste emprego pela renúncia de Fr. Manuel de Santa Maria Aguiar, motivada da enfermidade de que faleceu. No capítulo de 30 de janeiro de 1773 saiu eleito guardião do Convento de São Bernardino da Ilha Grande (Angra dos Reis).Porém, por troca que fez com Fr. Antônio do Menino Jesus eleito em guardião para o Convento de São Luís de Itu, foi governar este convento. Nele ficou confirmado na congregação intermédia de 30 de julho de 1774. Por causa da sustação do capítulo que houve em 1776 tornou para o mesmo Convento de São Luís de Itu, onde esteve governando até as eleições capitulares de 13 de dezembro de 1777. Foi eleito guardião do Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro na congregação intermédia de 8 de maio de 1779. E porque também se sustou o capítulo, ficou governando até 6 de outubro de 1781. Veio eleito definidor da Mesa por Breve do Núncio Apostólico de Portugal, passando aos 20 de maio de 1781. Neste mesmo capítulo (21 de agosto de 1781) ficou por secretário da Província, exercendo este emprego toda atualidade de definidor. Em cujo tempo passou a limpo os originais de todos os papéis que se achavam no arquivo da Província, que pelo tempo se iam fazendo ilegíveis, do que encheu dois livros de fólio, dos quais o 1º tomo tem 258 folhas e o 2º tomo 280 folhas. Fez igualmente o livro, em que se enumera por ordem alfabética o número dos religiosos. Também quatro tomos dos registros dos religiosos europeus, brasilienses (desaparecidos), leigos (desaparecido) e donatos (desaparecidos), como se vê nos próprios livros, além de outros muitos rubricados para o serviço da mesma Província e dos conventos. No capítulo de 21 de agosto de 1784 foi um dos padres deputados pela Mesa Definitorial para trabalhar na reforma de nossas Leis Municipais. No capítulo de 25 de agosto de 1787 saiu eleito Ministro Provincial. Governou a Província até o capítulo de 28 de agosto de 1790. Completo felizmente o seu triênio, um ano depois dele, deu fim aos seus dias no 1º de setembro de 1791, tomando um copo de veneno. Não se sabe realmente a causa deste desatino, não obstante deixar por letra sua documentos, que declarou. Mas, como parecem quiméricos pelos frívolos fundamentos, e antes de sua morte precedem vigílias e profunda hipocondria, julga-se que isto o conduziu a um delírio, o que algumas vezes se notou em várias ações contrárias ao seu costume, e que o mesmo delírio o fez cair no absurdo já referido. Como medearam algumas horas entre o termo da bebida e o último de sua vida, nas quais se confessou e deu provas de contrição, foi sepultado na quadra dos religiosos, feitos primeiramente os ofícios e fúnebres cerimônias, como se pratica. Nota (do próprio Registro): Dizer-se que tragou veneno é porque, além do conhecimento do médico pelos sintomas, além dos sinais que apareceram no corpo depois de morto: como o ficar com a língua preta e também as unhas etc., além de outras ações praticadas poucas horas antes de se perceber o estado em que se achava, e alguns indícios mais, o que tudo deu a conhecer depois que eram disposições para o fim mencionado. Logo que se divulgou a notícia da morte do dito padre com as suas circunstâncias, declarou o boticário Manuel Antônio Silva que no dia antecedente à morte, lhe vendera uma porção de rosalgar (sulfato de arsênico), por lhe ter dito o mesmo padre que era para matar ratos. O livro dos sufrágios (f. 12v) do convento do Rio de Janeiro declara que «faleceu com os sacramentos da penitência e extrema-unção, por não poder receber o Sagrado Viático por causa dos vômitos que lhe tinham».

    Na referência bibliográfica Religiosos Franciscanos da Província da Imaculada Conceição do Brasil na Colônia e no Império, de Fr. Sebastião Ellebracht, é o frade nº 868.

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ELLEBRACHT, Sebastião. Fr. José do Desterro, OFM. Rede Internacional de Estudos Franciscanos no Brasil. Disponível em: https://riefbr.net.br/pt-br/content/fr-jose-do-desterro-ofm-0. Acessado em: 05/04/2025.