Lente, ex-Custódio, europeu. Chamava-se no século Manuel Rodrigues Vieira. Filho legítimo de Pedro Rodrigues Vieira e de sua mulher Maria de Araújo, todos naturais da freguesia de São Nicolau da cidade do Porto. Foi aceito à Ordem pelo Ministro Provincial Fr. José do Nascimento. Tomou o hábito para frade do coro no Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Cabo Frio, aos 3 de outubro de 1736, sendo guardião Fr. José das Neves. Professou com o mesmo prelado e no mesmo convento, aos 4 de outubro de 1737. Quando era reformador da Província Dom Fr. Antônio de Guadalupe, OFM, bispo do Rio de Janeiro, e Ministro Provincial Fr. Lucas de São Francisco, foi admitido ao estudo de filosofia no Convento de São Francisco de São Paulo, sendo mestre Fr. Cosme de Santo Antônio. Com patente do Ministro Provincial Fr. Antônio da Conceição Godinho foi ordenado sacerdote em Buenos Aires (Argentina), Índias de Hespanha, aos 4 de abril de 1746. Conferiu-lhe todas as Ordens Dom Fr. José de Peralta, bispo da dita cidade. Na congregação intermédia de 11 de fevereiro de 1747 saiu eleito pregador. Foi nomeado confessor de seculares no capítulo de 17 de agosto de E 1748. Na congregação intermédia de 21 de fevereiro de 1750 o elegeram passante de filosofia para o estudo que no Convento de Santo Antônio lia Fr. Antônio de São José Guerra. Entretanto, depois do capítulo de 25 de setembro de 1751 foi mandado com a mesma ocupação de passante para o estudo de filosofia que no Convento de São Francisco de São Paulo ensinava Fr. Boaventura de São Salvador Cepeda. No período de 1753 a 1755 serviu também de pró-Comissário de Terceiros do dito convento. Foi nomeado lente de teologia no capítulo de 19 de outubro de 1754. Estando nesta ocupação, por delegação do Ministro Provincial Fr. Arcângelo de Santo Antônio Sá, fez a visita ao Convento de Nossa Senhora do Amparo de São Sebastião. Na congregação intermédia de 21 de abril de 1759 foi eleito lente de filosofia para o Convento de São Francisco de São Paulo. Na congregação intermédia de 24 de julho de 1762 elegeram-no lente de prima para o Convento do Senhor Bom Jesus da Ilha. No capítulo de 24 de janeiro de 1767 saiu eleito guardião do Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Cabo Frio. Ficou confirmado no mesmo lugar e convento na congregação intermédia de 23 de julho de 1768. Foi secretário da Província todo o provincialado (1770-1773) de Frei Inácio de Santa Rita Quintanilha. Por delegado deste mesmo Ministro Provincial foi visitar os dois conventos (Vitória e Penha) da capitania do Espírito Santo, e o de Cabo Frio. Este último também o visitou por comissão do visitador geral Fr. Manuel de Santa Maria Aguiar. No fim da secretaria, por ordem que vocalmente deu o Marquês de Lavradio, vice-rei do Estado, ao visitador geral, foi mudado para o Convento de São Bernardino da Ilha Grande (Angra dos Reis), onde esteve três anos e alguns dias até que, por consentimento do mesmo vice-rei, se recolheu ao Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro. Foi eleito custódio da Província por Breve do Núncio de Portugal, passado aos 11 de junho de 1777. Tomou posse deste lugar, aos 8 de novembro do mesmo ano. No capítulo de 21 de agosto de 1784 foi eleito pela Mesa Definitorial para trabalhar na reforma das Leis Municipais. Tendo recebido os últimos sacramentos, faleceu na enfermaria do Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro, aos 6 de outubro de 1795. Jaz sepultado na quadra, em que se enterram os religiosos.
Na referência bibliográfica Religiosos Franciscanos da Província da Imaculada Conceição do Brasil na Colônia e no Império, de Fr. Sebastião Ellebracht, é o frade nº 895.