Ex-Leitor, Padre da Província, brasiliense. No século se chamava José Vellozo Xavier, natural e batizado aos 14 de outubro de 1741 na freguesia de Santo Antônio da vila de São José (Tiradentes, MG), comarca do Rio das Mortes, bispado de Mariana. Filho legítimo de José Vellozo Carmo, natural e batizado na freguesia do Carmo, Couto de Tibães, arcebispado de Braga, e de sua mulher Rita de Jesus Xavier, natural da freguesia de Santo Antônio do Rio das Mortes, bispado de Mariana. Foi aceito à Ordem pelo Ministro Provincial Fr. Manuel da Encarnação (1761-1764). Tomou o hábito no Convento de São Boaventura de Macacu, aos 11 de abril de 1761, sendo guardião Fr. José da Madre de Deus Rodrigues. Professou no mesmo convento e com o mesmo guardião, aos 12 de abril de 1762. Foi admitido ao estudo de filosofia no Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro pelo Ministro Provincial Fr. Manuel da Encarnação e teve por mestre o Ex-Leitor de teologia Fr. Antônio da Anunciação. Com letras do Ministro Provincial Fr. Inácio da Graça (1764-1767), foi ordenado Sacerdote no Rio de Janeiro, a 21 de janeiro de 1766, e conferiu-lhe as Ordens o Exmo. Sr. Dom Fr. Antônio do Desterro, OSB (1745-1773), 6º bispo da dita cidade. Saiu eleito pregador na congregação intermédia de 23 de julho de 1768. Foi instituído confessor de seculares e passante de geometria da cidade de São Paulo, na congregação intermédia de 27 de julho de 1771. Em 1773 esteve alguns meses conto superior na Aldeia de Nossa Senhora dos Prazeres de Itapecerica da Serra (SP). Saiu eleito lente de retórica para o convento de São Francisco de São Paulo na congregação intermédia de 8 de maio de 1779. Em 1781 achava-se «há tempos» servindo de superior na Aldeia de São Miguel (São Miguel Paulista, SP). Estava nomeado Comissário de Terceiros do Convento de São Luís de Itu. Entretanto, não teve exercício. Queria o governador de São Paulo, Lobo de Saldanha, que fosse absolvido da ocupação, para a qual estava nomeado, e ficasse ainda uns 6 meses na Aldeia de São Miguel para poder completar o grande serviço que nela tinha feito, reedificando-a, arruando-a e findar a obra da igreja. Mas, antes de tudo, desejava que continuasse a colecionar para a corte de Lisboa «toda qualidade de plantas raras e todas as mais curiosidades pertencentes à História Natural». Já tinha aprontado 12 caixões. Era a única pessoa a que ele, o governador, havia encontrado que se interessasse por este ramo das ciências naturais. Em seguida foi mudado para o Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro. Por ordem do Exmo. Sr. Luís de Vasconcelos de Souza, vice-rei do Estado, intimada ao Ministro Provincial Fr. José dos Anjos Passos (1781-1784), girou a marinha (terras litorâneas) e também se entranhou pelas serras (da capitania do Rio de Janeiro) na qualidade de botânico, em cujo tempo compôs uma volumosa Flora, trazendo em sua companhia a Fr. Anastácio de Santa Inês, escrevente das definições herbárias, e a Fr. Francisco Solano Benjamim, delineador das plantas, que o dito botânico descobria e mandava pintar, para se estamparem. Na congregação intermédia de 25 de fevereiro de 1786 foi eleito mestre da história natural. Em 29 de junho de 1790 recebeu do Ministro Provincial Fr. José do Desterro (1787-1790) licença para se transferir à Corte de Lisboa, «porque no Brasil era difícil aperfeiçoar os seus conhecimentos por falta de recursos, mas que em Lisboa encontraria mestres, gabinetes e museus para frequentar». Fez a viagem em companhia de Luís de Vasconcelos de Souza, agora ex-vice-rei do Estado. Apresentou pessoalmente na Corte de Lisboa a sua Flora Fluminensis, já concluída, com a admiração dos mesmos professores de história natural. Continuou residindo em Lisboa na qualidade de sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, não cessando de fazer grandes serviços ao Estado: publicou 30 trabalhos, exceção cita do: Dicionário Português-Brasiliano, todas elas sobre assuntos das ciências naturais da agricultura, sendo umas originais suas, outras (a maior parte) traduzidas de autores estrangeiros. Foi-lhe confiada a direção da Casa Literária do Arco do Cego, consagrada à impressão de obras sobre agricultura e ciências naturais. Organizou também o herbário do Museu Real. Residia na casa do conde de Linhares. No ano de 1801 foi instituído Padre da Província por ordem de sua Alteza Real D. João VI em recompensa de seus avultados serviços. Voltou ao Rio de Janeiro em 1809. Trouxe o indulto, concedido pelo Papa Pio VII, a pedido da Província, para nela poder celebrar-se a festa do sacro Coração de Maria, com ofício e missa. Faleceu na enfermaria do Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro, de hidropisia anasarca, na meia noite do dia 13 para 14 de junho de 1811, tendo recebido o Sagrado Viático. Jaz sepultado na quadra em que é costume enterrar os religiosos que neste convento falecem. O Vigário Provincial Fr. Antônio Agostinho de Sant’Ana (1811), ofereceu os seus livros e manuscritos à sua Alteza Real. A resposta foi entregue ao Ministro Provincial Fr. Alexandre de São José Justiniano (1811-1814), aos 8 de novembro de 1811. D. João VI aceitou a oferta por ser digna de entrar na coleção de sua real biblioteca e mandou pagar as dívidas deixadas por Fr. José Mariano da Conceição Vellozo, na importância de 360$000. Nota: Fr. Vellozo era primo irmão materno do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. LS-R, f. 42, em desacordo com o Registro dos Religiosos, brasilienses (II), f. 75, tem como dala da morte: 14 de maio de 1811, data esta repetida por Santa Gertrudes (f. 3). Segue outro termo de sufrágios feitos no Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro, que é de 10 de junho de 1811. Confessamos não lograr desfazer esta dúvida.
Na referência bibliográfica Religiosos Franciscanos da Província da Imaculada Conceição do Brasil na Colônia e no Império, de Fr. Sebastião Ellebracht, é o frade nº 1062.